Suas Emoções e seu Bolso


 Já falamos de o quanto a saúde é importante para seu bolso (e, claro, para você próprio). Estando bem físico, mental e espiritualmente, você terá mais clareza de pensamento para tomar suas decisões. Nos aspectos mental e espiritual, o mais importante para suas finanças é manter o equilíbrio emocional.




Grande parte das pessoas perdem dinheiro devido a falta de controle das emoções do que propriamente por não saberem finanças. Já ouviu alguém dizer que precisava de um “banho de loja” para desestressar? Ou afogar os problemas na cerveja com os amigos do bar? Um amigo eufórico que viu alguma ação da bolsa subir 200% no ano, comprou lá no topo e depois ficou desesperado vendo elas caírem mais de 100%, sem saber o que fazer, perdendo noites de sono, até que resolveu vende-las lá no fundo do poço? E depois arrancar os cabelos que restavam ao vê-las recuperarem o preço?

Essa gangorra emocional não faz bem nem para sua saúde e nem para seu bolso.

Qualquer decisão importante tem que ser feita com a calma e tranquilidade. Se estiver nervoso, não decida nada. Vá para casa, tome um banho relaxante e durma. No dia seguinte perceberá que a decisão que tomaria no dia anterior talvez não fosse a mais acertada.

Todas as emoções podem ser prejudiciais ao seu bolso, se não estiverem sob controle. A alegria, o otimismo e a euforia podem leva-lo a comprar um bem quase por impulso e depois se arrepender. Quem já não esperou o chefe estar de bom humor para pedir algum favor? E os sentimentos negativos, como rancor, tristeza, podem leva-lo a comprar algo para se consolar, ou a vender bens na hora errada.

De todas as emoções, duas são as que mais influenciam suas decisões financeiras: a ganância e o medo.

A ganância o faz querer aproveitar oportunidades de ganho rápido. É isso que leva muitas pessoas a caírem nos golpes de pirâmides financeiras1. E quando a ganância se soma ao medo de perder a oportunidade que está enriquecendo seu vizinho, fica ainda mais difícil resistir. Ninguém quer ficar para trás.

O sentimento de medo, em si, não é ruim. É um mecanismo de defesa. Ter medo de um leão pode evitar que você seja o almoço dele. Mas se você se acha corajoso e fica em frente ao leão e, de repente, o rugido paralisa suas pernas, vai virar almoço. Isso é o que muitas vezes acontece no mercado de ações, como descrevo melhor a seguir.

No mercado de ações, essas emoções podem funcionar assim: você vê seus amigos ganhando dinheiro com as ações da Petrobrás e te perguntando porque ainda não investiu. Não querendo ficar para trás, compra as ações ao preço de R$40,00. Elas sobem até R$50,00 e você fica satisfeito pela boa decisão que tomou. Elas continuam a subir até R$80,00 e você se sente invencível. Um ano depois ela vai a R$160,00. Você decide que, se dobrar novamente, vai trocar de carro. Aí, de repente, as ações começam a cair. R$150,00, R$140,00, R$90,00, R$80,00... Seus amigos começam a vender. Mas você, não. Não vai vender uma ação que já valeu R$160,00 por R$80,00. Mesmo que tenha ganho 100% em cima da cotação de compra, a única coisa que percebe é que, se vender agora, terá perdido 50% do valor de sua carteira na cotação máxima. A dor e a percepção de perda é maior do que a sensação de ganho. A cotação continua caindo. R$50,00, R$40,00, R$30,00, R$20,00... Você fica paralisado em frente ao painel de cotações. Vender agora no prejuízo? Não, mesmo! Você reza para ela voltar aos R$40,00. E quando isso acontece, vende, feliz da vida. Se sente aliviado. As ações continuam a subir, mas você já decidiu que nunca mais investirá um centavo no mercado de ações.

Citei o mercado de ações, tanto porque já passei por isso, quanto pelo fato de os preços das ações serem diários e despertar mais essas emoções. Se sua casa tivesse cotação diária e fechasse o dia cotada a menos 30% do que você pagou por ela ano passado, dormiria pensando se vende ela ou não antes que caia mais e ficaria ansioso para ver a cotação dela ao final de cada dia. Felizmente, casas não possuem cotações diárias. O que nos permite dormir tranquilos.

O mercado em geral sabe se aproveitar bem dessas emoções. Já assistiu a algum programa de vendas na TV? Te mostram um produto, tentam te convencer que você precisa dele, mostram uma oportunidade única de compra-lo com um desconto super atraente que durará, por exemplo, 5 minutos. E na tela aparece o temporizador mostrando o tempo acabando e, às vezes, até a quantidade de produtos se esvaindo do estoque. Com medo de perder essa excelente oportunidade, você liga e faz a compra. Depois que o produto chega, descobre que não precisava tanto dele assim e que nem é tão útil ou tão prático quanto parecia.

Nas lojas físicas acontece o mesmo. Vários cartazes de “promoção relâmpago”, “última oportunidade”, “por tempo limitado”, “tá acabando” nos bombardeiam o tempo todo. E se o produto for aquele único vestido daquele jeito que te encantou, pior ainda. Se ele for vendido para outra pessoa, você nunca mais verá outro igual.

Então, como controlar as emoções?

Basicamente, a resposta é ser racional. Pense bem antes de comprar. Pesquise na internet se aquela TV tem as qualidades mesmo que você quer e se você vai usar todos os recursos oferecidos (e pelos quais tá pagando). Será que seu armário de roupas já não está cheio de “vestidos únicos” que também foram usados uma única vez? Não existem no mercado produtos de qualidade semelhante custando menos?

Dentro desse racional, a palavra chave é planejamento. Quanto se planeja com antecedência, se tem mais tempo para pesquisar e tomar decisões acertadas. Imagine ser madrinha de casamento e deixar para comprar o vestido na véspera. A urgência fará com que compre o vestido que não gosta tanto pelo preço que não gostaria de pagar. E depois do casamento encontrará o vestido que queria pelo preço certo.

Planejamento também ajuda no controle da ansiedade. Sabendo o que será feito, se tem mais confiança e paciência.

No caso de se fazer negócios, o planejamento bem feito precisa também de conhecimento. Quanto mais se conhecer o negócio, melhor poderá se planejar e, com isso, aumentar suas chances de sucesso.

Nosso dia a dia estressante não nos ajuda nesse controle das emoções. Bem pelo contrário. Muito pelo contrário. Esse estresse estimula em nós um desejo consumista, como forma de nos recompensarmos pelo esforço. Mereço tomar umas (cervejas) sexta à noite com meus amigos. Com um pouco de esforço racional é possível controlar essas emoções. Ou, pelo menos, evitar de tomar decisões importantes enquanto se está sob efeito delas.

Infelizmente, esse estresse todo está gerando uma outra emoção nada boa: a ansiedade quase crônica. Em alguns casos, a depressão. E, dificilmente, boas decisões poderão ser tomadas sob a influência dessas emoções. Se a racionalidade não conseguir ajudar, então é melhor procurar ajuda médica.

Pelo exposto acima é que insisto tanto na questão da saúde física e mental nas tomadas de decisões financeiras. Um bom planejamento com conhecimento de causa e uma boa terapia podem fazer muito pelo seu bolso.

(Esse texto é parte integrante do livro Aprendendo sobre Dinheiro. Clique na imagem abaixo para saber

mais.)

 

 

 

 

1 PIRÂMIDES FINANCEIRAS. Golpes em que as pessoas que entram depois acabam financiando as que entraram antes, dando credibilidade ao sistema, que uma hora desmorona, por não haver mais entrantes. Por exemplo, convenço cliente A e B a investirem cada um R$ 1.000,00 com a promessa de ganhos de 50% ao mês. Depois convenço o cliente C a fazer o mesmo e com o valor deste pago os ganhos de A e B. Como estão ganhando, A e B mantêm seus investimentos. Enquanto o golpista continuar captando novos cliente suficientes, poderá manter os ganhos dos primeiros. Quando o valor acumulado for bom e não houver clientes suficientes entrando, o golpista pega o valor e some.

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