O Verdadeiro Valor das Coisas


Há alguns anos eu e meu chefe voltávamos de uma visita a um cliente e no caminho vimos um lindo

Mercedes-Benz. Comentei com meu chefe que um carro daqueles não saia por menos de R$ 180.000,00. Ele retrucou que nunca daria um valor desses num carro. Certamente o achou muito caro. Mas o que seria realmente caro? Um carro é caro apenas no valor em si ou é a nossa percepção que o torna caro ou barato?

Um valor de R$180.000,00 parece absoluto por si só. Isto é, matematicamente o valor é o mesmo, tanto para um rico quanto para um pobre. Mas para o pobre, a percepção de valor dessa cifra é muito maior do que para um rico. Por quê?

Vamos imaginar um trabalhador que tenha um salário de R$ 2.000,00. Para comprar esse veículo, ele teria que trabalhar durante 90 meses sem gastar com mais nada. Seriam sete anos e meio de trabalho. Isso dá 2.700 dias de trabalho.

Que tal brincarmos um pouco? Vamos criar nossa própria moeda, a Dias de Trabalho, ou $Dt. Esse carro custaria ao nosso trabalhador $Dt 2.700,00.

Agora, imagine um médico bem-sucedido que ganhe em torno de R$ 100.000,00 por mês. Para este, o carro representa menos de 2 meses de trabalho. Convertendo em nossa moeda temos $Dt 54,00.

Assim, para o médico, o carro custa apenas $Dt 54,00. Enquanto para o trabalhador custa o montante de $Dt 2.700,00. Agora ficou fácil entender o porquê das diferentes percepções de valores. Por isso, não critique o médico só porque ele anda de Mercedes. Ele não está sendo esnobe. Ele simplesmente pode. Dentro do padrão financeiro dele, o carro foi barato.

(Calma, Doutor. Sei que os médicos também são trabalhadores. Mas o senhor entendeu o ponto, certo?)

Esse, para mim, é o verdadeiro valor das coisas. O valor expresso em dias de trabalho.

Se eu ganho R$100,00 por dia, a nota de R$100 não vale apenas o que nela está impresso. Vale um dia de trabalho duro e suor. Então, se eu for comprar algo por R$100,00, ele vai ter que valer mais do que o seu valor nominal. Vai ter que valer um dia de meus esforços.

Gosto de pensar nesses termos. Isso me ajuda a priorizar as coisas certas e os momentos certos.

Pense em uma pizza que custe R$ 100,00. Comê-la vale mesmo um dia de seus esforços? E se a mesma pizza for compartilhada com sua família? Vale um dia de seus esforços?

Aqui acabamos por entrar em um outro conceito de valor: o emocional. No entanto, como esta percepção de valor é muito particular e imensurável, deixarei a cargo do leitor definir esse valor para cada objeto e momento e somá-lo ao valor de nossa moeda Dias de Trabalho.

Suas Emoções e seu Bolso


 Já falamos de o quanto a saúde é importante para seu bolso (e, claro, para você próprio). Estando bem físico, mental e espiritualmente, você terá mais clareza de pensamento para tomar suas decisões. Nos aspectos mental e espiritual, o mais importante para suas finanças é manter o equilíbrio emocional.




Grande parte das pessoas perdem dinheiro devido a falta de controle das emoções do que propriamente por não saberem finanças. Já ouviu alguém dizer que precisava de um “banho de loja” para desestressar? Ou afogar os problemas na cerveja com os amigos do bar? Um amigo eufórico que viu alguma ação da bolsa subir 200% no ano, comprou lá no topo e depois ficou desesperado vendo elas caírem mais de 100%, sem saber o que fazer, perdendo noites de sono, até que resolveu vende-las lá no fundo do poço? E depois arrancar os cabelos que restavam ao vê-las recuperarem o preço?

Essa gangorra emocional não faz bem nem para sua saúde e nem para seu bolso.

Qualquer decisão importante tem que ser feita com a calma e tranquilidade. Se estiver nervoso, não decida nada. Vá para casa, tome um banho relaxante e durma. No dia seguinte perceberá que a decisão que tomaria no dia anterior talvez não fosse a mais acertada.

Todas as emoções podem ser prejudiciais ao seu bolso, se não estiverem sob controle. A alegria, o otimismo e a euforia podem leva-lo a comprar um bem quase por impulso e depois se arrepender. Quem já não esperou o chefe estar de bom humor para pedir algum favor? E os sentimentos negativos, como rancor, tristeza, podem leva-lo a comprar algo para se consolar, ou a vender bens na hora errada.

De todas as emoções, duas são as que mais influenciam suas decisões financeiras: a ganância e o medo.

A ganância o faz querer aproveitar oportunidades de ganho rápido. É isso que leva muitas pessoas a caírem nos golpes de pirâmides financeiras1. E quando a ganância se soma ao medo de perder a oportunidade que está enriquecendo seu vizinho, fica ainda mais difícil resistir. Ninguém quer ficar para trás.

O sentimento de medo, em si, não é ruim. É um mecanismo de defesa. Ter medo de um leão pode evitar que você seja o almoço dele. Mas se você se acha corajoso e fica em frente ao leão e, de repente, o rugido paralisa suas pernas, vai virar almoço. Isso é o que muitas vezes acontece no mercado de ações, como descrevo melhor a seguir.

No mercado de ações, essas emoções podem funcionar assim: você vê seus amigos ganhando dinheiro com as ações da Petrobrás e te perguntando porque ainda não investiu. Não querendo ficar para trás, compra as ações ao preço de R$40,00. Elas sobem até R$50,00 e você fica satisfeito pela boa decisão que tomou. Elas continuam a subir até R$80,00 e você se sente invencível. Um ano depois ela vai a R$160,00. Você decide que, se dobrar novamente, vai trocar de carro. Aí, de repente, as ações começam a cair. R$150,00, R$140,00, R$90,00, R$80,00... Seus amigos começam a vender. Mas você, não. Não vai vender uma ação que já valeu R$160,00 por R$80,00. Mesmo que tenha ganho 100% em cima da cotação de compra, a única coisa que percebe é que, se vender agora, terá perdido 50% do valor de sua carteira na cotação máxima. A dor e a percepção de perda é maior do que a sensação de ganho. A cotação continua caindo. R$50,00, R$40,00, R$30,00, R$20,00... Você fica paralisado em frente ao painel de cotações. Vender agora no prejuízo? Não, mesmo! Você reza para ela voltar aos R$40,00. E quando isso acontece, vende, feliz da vida. Se sente aliviado. As ações continuam a subir, mas você já decidiu que nunca mais investirá um centavo no mercado de ações.

Citei o mercado de ações, tanto porque já passei por isso, quanto pelo fato de os preços das ações serem diários e despertar mais essas emoções. Se sua casa tivesse cotação diária e fechasse o dia cotada a menos 30% do que você pagou por ela ano passado, dormiria pensando se vende ela ou não antes que caia mais e ficaria ansioso para ver a cotação dela ao final de cada dia. Felizmente, casas não possuem cotações diárias. O que nos permite dormir tranquilos.

O mercado em geral sabe se aproveitar bem dessas emoções. Já assistiu a algum programa de vendas na TV? Te mostram um produto, tentam te convencer que você precisa dele, mostram uma oportunidade única de compra-lo com um desconto super atraente que durará, por exemplo, 5 minutos. E na tela aparece o temporizador mostrando o tempo acabando e, às vezes, até a quantidade de produtos se esvaindo do estoque. Com medo de perder essa excelente oportunidade, você liga e faz a compra. Depois que o produto chega, descobre que não precisava tanto dele assim e que nem é tão útil ou tão prático quanto parecia.

Nas lojas físicas acontece o mesmo. Vários cartazes de “promoção relâmpago”, “última oportunidade”, “por tempo limitado”, “tá acabando” nos bombardeiam o tempo todo. E se o produto for aquele único vestido daquele jeito que te encantou, pior ainda. Se ele for vendido para outra pessoa, você nunca mais verá outro igual.

Então, como controlar as emoções?

Basicamente, a resposta é ser racional. Pense bem antes de comprar. Pesquise na internet se aquela TV tem as qualidades mesmo que você quer e se você vai usar todos os recursos oferecidos (e pelos quais tá pagando). Será que seu armário de roupas já não está cheio de “vestidos únicos” que também foram usados uma única vez? Não existem no mercado produtos de qualidade semelhante custando menos?

Dentro desse racional, a palavra chave é planejamento. Quanto se planeja com antecedência, se tem mais tempo para pesquisar e tomar decisões acertadas. Imagine ser madrinha de casamento e deixar para comprar o vestido na véspera. A urgência fará com que compre o vestido que não gosta tanto pelo preço que não gostaria de pagar. E depois do casamento encontrará o vestido que queria pelo preço certo.

Planejamento também ajuda no controle da ansiedade. Sabendo o que será feito, se tem mais confiança e paciência.

No caso de se fazer negócios, o planejamento bem feito precisa também de conhecimento. Quanto mais se conhecer o negócio, melhor poderá se planejar e, com isso, aumentar suas chances de sucesso.

Nosso dia a dia estressante não nos ajuda nesse controle das emoções. Bem pelo contrário. Muito pelo contrário. Esse estresse estimula em nós um desejo consumista, como forma de nos recompensarmos pelo esforço. Mereço tomar umas (cervejas) sexta à noite com meus amigos. Com um pouco de esforço racional é possível controlar essas emoções. Ou, pelo menos, evitar de tomar decisões importantes enquanto se está sob efeito delas.

Infelizmente, esse estresse todo está gerando uma outra emoção nada boa: a ansiedade quase crônica. Em alguns casos, a depressão. E, dificilmente, boas decisões poderão ser tomadas sob a influência dessas emoções. Se a racionalidade não conseguir ajudar, então é melhor procurar ajuda médica.

Pelo exposto acima é que insisto tanto na questão da saúde física e mental nas tomadas de decisões financeiras. Um bom planejamento com conhecimento de causa e uma boa terapia podem fazer muito pelo seu bolso.

(Esse texto é parte integrante do livro Aprendendo sobre Dinheiro. Clique na imagem abaixo para saber

mais.)

 

 

 

 

1 PIRÂMIDES FINANCEIRAS. Golpes em que as pessoas que entram depois acabam financiando as que entraram antes, dando credibilidade ao sistema, que uma hora desmorona, por não haver mais entrantes. Por exemplo, convenço cliente A e B a investirem cada um R$ 1.000,00 com a promessa de ganhos de 50% ao mês. Depois convenço o cliente C a fazer o mesmo e com o valor deste pago os ganhos de A e B. Como estão ganhando, A e B mantêm seus investimentos. Enquanto o golpista continuar captando novos cliente suficientes, poderá manter os ganhos dos primeiros. Quando o valor acumulado for bom e não houver clientes suficientes entrando, o golpista pega o valor e some.

Sua Saúde e seu Bolso

 

Você deve estar se perguntando: “Por que uma postagem sobre saúde em um blog sobre finanças?”

Bem, se você já fez uma consulta particular a um médico e comprou os remédios que este receitou, então já sabe o motivo.

Infelizmente, nós, ocidentais, nos preocupamos muito com a saúde depois que a perdemos.  A medicina ocidental é mais voltada ao tratamento da doença do que à sua prevenção.   E a prevenção é sempre mais barata que o tratamento.  Provavelmente isto está ligado a nosso perfil capitalista.  Afinal, se é mais lucrativo (bem mais lucrativo!) investir no tratamento, para que investir na prevenção?  E o capitalismo ainda piora a situação quando seu foco está todo no lucro, sem necessariamente pensar na qualidade de vida.  Certamente você já ouviu a expressão “perder saúde para ganhar dinheiro e depois perder o dinheiro para recuperar a saúde”.   No nosso dia a dia estamos tão envolvidos com o trabalho, o cumprimento de metas e com as contas a pagar, que não paramos para pensar em nossa saúde.  Pequenos sinais de alerta são tidos como normais.  Dor de cabeça?  Tome um analgésico.  Dificuldades para dormir? O doutor tem uma ótima receita para isso.  Normal.  Todo mundo toma mesmo, né?  Até que um dia o copo transborda.  Foi o que aconteceu comigo.

Foram quatorze anos como bancário quase sem ir ao médico.  Nem para check up.  E esse desleixo todo teve seu preço.  Em 2014 pulei da cama e corri pela casa com o coração acelerado.  Era um ataque de pânico.  O que me surpreendeu bastante.  Pânico do que, afinal?  A resposta do médico era que o estresse do dia a dia foi se acumulando até resultar no ataque.  E a partir daí foi só gasto com psiquiatra (em média R$ 400,00) e remédios (R$350,00 por mês). Além disso, outros problemas foram aparecendo (ou sendo descobertos), como pressão alta, apneia etc., gerando mais despesas.

Então, antes que você chegue a este ponto, esteja na idade que estiver, procure cuidar da sua saúde.

Felizmente, as coisas estão mudando.  A nova geração se autodenomina de geração saúde.  Acredito que devido a um melhor nível de educação e principalmente pela grande facilidade de acesso à informação (ok, e vaidade), os jovens estão se preocupando mais com a saúde, focando em boa alimentação e exercícios físicos.  E, gradualmente, essa filosofia de prevenção tem avançado no meio da medicina.  Muitos dos médicos com os quais consultei foram unânimes em enfatizar essa prevenção.  E as orientações se resumem aos pontos a seguir.

- Durma bem.  Ou seja, procure dormir as 8hs diárias recomendadas.  Aqui vale adotar uma boa higiene do sono, que basicamente consiste em (1) dormir e levantar sempre nos mesmos horários, (2) não tirar nenhuma soneca durante o dia.  Segundo minha médica, o nosso corpo desconta à noite essas horas dormidas fora do horário.  (3) Ir para a cama apenas quando estiver com sono.  O conselho para mim foi “bocejou, vá dormir”. (4) Evite hábitos que podem atrapalhar seu sono, como ficar com os olhos na tela do celular antes de ir para a cama, consumir bebidas alcoólicas e cafeinadas perto da hora de se deitar, entre outras coisas.  Se tiver dificuldades em dormir, procure um especialista em sono.   Ele provavelmente lhe pedirá um exame de polissonografia e poderá lhe dar conselhos específicos para seu caso.  Mas vale o custo.  Boas noites de sono são essenciais para uma devida recuperação do seu corpo e mente. 

- Descasque mais e desembale menos.  Ou seja, tenha uma alimentação mais natural possível.  Evite produtos industrializados.  A feira não só é mais saudável que o supermercado, como também é bem mais barata.  Procure a orientação de um nutricionista.

Uma boa ideia para economizar um pouco e ter comidas sem agrotóxicos é cultivar a própria horta no seu quintal (cuidado com seu gato...), ou qualquer outro espaço disponível. Na internet encontrasse soluções de cultivo para qualquer tipo de espaço. E além da boa comida, o cultivo ajuda muito a controlar o estresse (a menos que você tenha um gato querendo te ajudar a adubar a terra...).

-  Beba bastante água.   Água é vida.  O ser humano pode até passar muitos dias sem comida, mas não durará muito sem água.  A recomendação em geral é de, no mínimo, dois litros por dia.

- Faça exercícios físicos regularmente.  É ótimo para o corpo e para a mente.  Os exercícios ajudam na produção dos hormônios responsáveis pela sensação de bem estar. 

Eu mesmo fiquei muito tempo sem me exercitar.  Uma das causas de meus problemas.  Quando me matriculei numa academia de exercícios funcionais (os famosos “circuitos”), quase desmaiei no primeiro dia.  Poucas semanas depois já estava a toda nos circuitos. (Tá... uns 80%).  Realmente fez muita diferença em minha qualidade de vida.

 

Além desses itens, gostaria de acrescentar mais um. 

- Cuide de seu lado espiritual.  Se você acredita em alguma inteligência superior, sobrenatural, aperfeiçoe sua conexão com ela.   Isso te trará paz e refletirá em sua saúde mental e física.

Como cristão, orar, ir à igreja, ouvir sermões, aumenta minha fé em Deus.   A sensação de que tem um ser superior cuidando de tudo que ocorre em minha vida me traz grande paz, mesmo em momentos difíceis. 



Ter uma boa saúde física, mental e espiritual contribui para que você se sinta em harmonia consigo mesmo.  E é nesta condição que as melhores e mais sábias decisões são tomadas.

Já observou como você dirige seu carro, ou trata as pessoas ao redor, quando está com raiva, doente, e quando está calmo, saudável?   Já foi ao supermercado com fome e comprou mais produtos do que o necessário? Já foi às compras para relaxar mas teve que tomar uma aspirina quando viu a fatura do cartão de crédito?

Enfim, o melhor jeito de começar a cuidar de seu dinheiro é cuidando de sua própria saúde. 

 (Esse texto é parte integrante do livro Aprendendo Sobre Dinheiro).

  

Dinheiro traz felicidade?


 Em si mesmo, dinheiro não traz felicidade (Embora alguns digam que ele manda buscá-la😁). O dinheiro é apenas um meio para se adquirir algo, suprir uma necessidade. É o suprir da necessidade que traz a felicidade. Uma vez suprida às necessidades, o sentimento de felicidade dá lugar ao da satisfação.

Imagine um pai de família desemprego, vendo os dois filhos e a esposa passando fome. Situação que levaria qualquer um ao desespero. Imagine, agora, o sentimento desse pai ao conseguir um emprego de salário mínimo e levar a primeira compra para dentro de casa. É emoção de descer lágrimas dos olhos. O salário não é suficiente para comprar roupas novas ou melhorar a casa, mas a principal necessidade está suprida. Vamos dizer que numa escala de 0 a 10, seu nível se felicidade quase extrapola para o 11. 
 
Agora, vamos promover nosso herói e dar-lhe um aumento para três salários mínimos. Com essa diferença ele poderá comprar algumas roupas novas para os filhos e jogar as calças jeans rasgadas fora (ou vendê-las, pois estranhamente entraram na moda). Vê os filhos não mais com os pés no chão dará ao bom pai um bom nível de felicidade, embora um pouco menor que o primeiro. Digamos um nível 8. 
 
Como esse bom pai é esforçado no serviço, foi novamente promovido e passou a ganhar sete salários mínimos. Agora, sim, ele poderá reformar a casa ou financiar a compra de seu primeiro caro. Que nível de felicidade se pode colocar na compra do primeiro carro? 
 
Com o tempo, esforço e demonstrando ser um funcionário de confiança, esse pai de família alcançou a renda de vinte salários mínimos. Com esse aumento ele coloca os filhos em escolas particulares e troca de carro pela segunda vez. Qual o nível de felicidade ao trocar o carro pela segunda vez? 
 
É de se esperar que com o aumento de salário também haja um aumento da qualidade de vida. Mas na prática, essa relação não é exatamente proporcional. A manutenção da qualidade de vida alcançada depende da manutenção do alto salário. E não se ganha um alto salário à toa. Não é raro ele vir de um cargo de muita responsabilidade, que pode lhe custar mais que oito horas de trabalho diário, além de ligações fora de hora e reuniões até em finais de semana. E caso as metas impostas ao cargo não forem alcançadas, corresse o risco de perdê-lo para quem o consiga. E a perda do cargo significa uma redução da qualidade de vida a qual a família já se acostumou. Imagine dizer aos filhos que terão que voltar para a escola pública! Será que tal nível de trabalho e preocupação corresponde ao aumento de qualidade de vida que se esperava com o cargo? 
 
Não, não estou querendo dizer que ganhar muito dinheiro traz infelicidade. Como já dito, dinheiro é apenas o meio de se alcançar um objetivo. E esse objetivo normalmente implica em se ter uma boa qualidade de vida. Mas quando o meio se torna o objetivo (ganhar dinheiro) e isto compromete a qualidade de vida (tempo com a família, momentos de lazer e descanso, aumento de estresse e diminuição da saúde em geral), então algo precisa ser revisto. Não faz sentido ganhar dinheiro para aumentar a qualidade de vida e perdê-la no processo. 
 
Então não devemos almejar ganhar muito dinheiro? 
 
Sim, devemos. O problema não está no dinheiro em si. O problema é não permitir que isso prejudique sua qualidade de vida. Ou, no mínimo, tentar buscar um equilíbrio e definir prioridades. Há pessoas que não se importam em pagar o preço até mesmo de sua saúde se isso permitir que possa ver seus filhos formados, sendo doutores. 
 
Resumindo até aqui: o dinheiro pode trazer felicidade até o ponto de cobrir as necessidades (comida, roupas, abrigo, etc.). A partir daí há ganho de satisfação (comida requintada, roupas de grife, carro novo, etc.). No momento em que o aumento de renda implica em uma diminuição da qualidade de vida, há um declínio na felicidade. 
 
Em alguns casos, ganhar e acumular dinheiro se torna tanto o objetivo que a qualidade de vida nem é levado em conta. É o caso de um conhecido nosso que acumulou muitas terras e era considerado por todos um homem rico. No entanto, vivia em uma casa bem aquém do que poderia ter. É como alguém que ganha R$100.000,00 por mês e vive como se ganhasse R$3.000,00. O patrimônio acumulado só serviu para dividir a família, com os filhos brigando por uma herança de pai vivo. 
 
Então o que fazer? 
 
Em nossa opinião, devesse priorizar a qualidade de vida em todos os sentidos (saúde física e mental, tempo de qualidade com a família, lazer...) e procurar aumentar a renda a partir daí. Se o aumento de renda prejudicar a qualidade de vida, esse deve ser bem pensado e pesado os prós e contras.

(Esse texto é parte integrante do livro Aprendendo Sobre Dinheiro).

Na próxima postagem, vamos falar um pouco sobre a sua saúde física e mental e o impacto delas em seu bolso.
 
 
DICA: Antes de aprender mais sobre dinheiro, que tal aprender sobre como aprender?  
Clique e saiba mais em Aprendendo a Aprender 

Aprendendo sobre Dinheiro

 Oi.  Que bom tê-lo aqui com a gente.


Primeiramente quero te parabenizar.  Se sua pesquisa na Internet te trouxe até aqui, é porque você está interessado em aprender algo sobre dinheiro.  E é justamente a falta desse conhecimento financeiro o grande responsável pela situação de dívidas da maioria das pessoas.  E falo com conhecimento de causa.

Há duas décadas atrás passei em um concurso público para ingressar em um banco.  Para quem já foi catador de lata e camelô por mais de 10 anos no Rio de Janeiro, essa foi uma grande vitória.  A segunda maior (a primeira foi me formar em Letras).  O salário não é de deixar ninguém rico.  Mas traz uma estabilidade financeira boa e gera um bom salto na qualidade de vida.  Bem... assim pensei.

O salto da qualidade de vida realmente aconteceu.  Mas também vieram os gastos.  Mudar de cidade, alugar uma casa, comprar móveis... e comer de tudo que não pude na infância. Para minha surpresa, cheguei em um mês que praticamente tinha que catar moedinhas dentro de casa para comprar pão. Daí a me perguntar:  O que aconteceu?  Para onde foi meu salário do mês?

Te soa familiar a pergunta?  A resposta é simples: não saber lidar com o dinheiro.  E isso não se ensinava nas escolas em minha época.  E nem sei se hoje ensinam.

Para resolver esse problema, tive que aprender as lições de como lidar com o dinheiro.  O trabalho no banco me ajudou nisso.  

O que aprendi e ainda continuo aprendendo coloquei no livro Aprendedo sobre Dinheiro.  As postagens aqui serão baseadas nele.  Mas como a aprendizagem é constante e as visões de mundo mudam, tanto o livro como as postagens estão sujeitas a atualizações e, espero, evolução.

Esse conhecimento e essa constante aprendizagem me ajudaram a me estabilizar financeiramente e tenho certeza que o ajudarão também.    

Então, para começar, na próxima postagem vamos responder à pergunta:

Dinheiro traz felicidade? 

 


Por que a nota de R$ 10,00 em seu bolso tem esse valor

  Para administrar bem o seu dinheiro é interessante entender, primeiro o que ele é. Para facilitar o entendimento, vamos recorrer a uma pe...